sábado, 18 de junho de 2011




Produto típico da década de ‘60, até os 40 anos fui puro rock. Tenho, portanto, uma dívida irresgatável com essa familia que vem desde Chuck Berry , Bill Haley e Elvis Presley.
O problema é que cheguei tarde à música clássica, esse universo de significações múltiplas do qual, desgraçadamente, já não tenho muito tempo para percorrer. De qualquer modo - é uma espécie de consolo - a música clássica é como a filosofia: antes do 40, é desperdício freqüentá-la.
Então, me especializei em Mozart, Bach e Vivaldi. É que percebi que com Mozart, avalio melhor um solo de Hendrix; com Bach, entendo nuances do Jefferson Airplane; com Vivaldi, percebo sutilezas no Greateful Dead.
Heresia! dirão os ortodoxos. Certamente, mas nem tanto, pois cada um ouve segundo uma relação de perfeita sintonia com o que é.
Ouvimos como somos.
Confira:
Do mesmo modo que não nos banhamos duas vezes no mesmo rio, assim também a mesma música nunca é mesma a cada vez que a ouvimos.
O mesmo portanto, não existe; ou melhor, só exite, a cada mesma vez, como diferente.
(Se é que você me entende).

2 comentários:

  1. Luiz, discordo totalmente que música clássica seja desperdício antes dos 40 (quanto a filosofia estou ainda pensando) Mas como tive uma educação em música clássica desde pequeno pude desenvolver o entendimento dessa música desde cedo e no final da adolescência já tinha as minhas preferidas e sabia reconhecer estilos e autores. O problema de ser exposto à musica clássica desde cedo é que sua barra de exigência musical sobe e não conseguimos aceitar música de baixa qualidade ou música pretensiosa calcada em pastiches. Por outro lado tive uma boa formação musical eclética ouvindo samba antigo e moderno, rock e tudo mais. Acabei sendo fã de Renascence, Rick Wakeman, Led Zepelin, Pink Floyd e Emerson Lake & Palmer um pouco por ouvir clássicos. Mas talvez eu tenha um espectro de gosto musical muito mais amplo que a maioria, pois ouço Pena Branca e Xavantinho, Yamandu, Chico Buarque, Donna Summer, Elis Regina, Dona Ivone Lara, Ravel e Fauré.
    Sua escolha de Mozart, Bach e Vivaldi é interessante, mas tenho minhas dúvidas se seriam minhas escolhas. Prefiro Chopin, Rachmaninov, Debussy, Fauré e Villa Lobos. Sendo a Bachiana numero 5 uma das músicas que me arrepiam a nuca e o coração.
    Conhece esse disco? http://www.amazon.com/Debussy-Faure-Encontram-Milt-Wagner/dp/B0000506MC
    Um abraço

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  2. Eirk Satie Gymnopédie No. 1

    http://youtu.be/LBhZAQlOtwg

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