segunda-feira, 27 de junho de 2011

DECLARAÇÃO DE FÉ.

Não sou ateu por convicção.
Sou ateu por instinto.
Já tinha pensado e escrito isso quando descobri que Nietzsche também havia dito que era ateu por instinto: “Para mim o ateísmo não é nem uma consequência, nem mesmo um fato novo: existe comigo por instinto”. In: Friedrich Nietzsche, Ecce homo. Conformado - e perplexo! -, constato que não importa o que eu pense, alguém já terá pensado antes de mim... A propósito: Borges tem uma interessante reflexão a respeito de “tudo já ter sido pensado”: “Concluí que tudo foi pensado na Índia e na China. Todas as filosofias possíveis, desde o materialismo até as formas extremas do idealismo, tudo foi pensado por eles, mas foi pensado de um modo diferente, de modo que, desde então, temos nos dedicado a repensar o que já foi pensado na Índia e na China”. J. L. Borges. In: Borges/Osvaldo Ferrari, Sobre a filosofia e outros diálogos. É verdade! Quando os gregos descobriram o Logos e o reconciliaram com o eu - criando assim a filosofia no Ocidente - Indianos e chineses, há muito, já haviam criado a “filosofia” no Oriente, negando o primeiro - o Logos, a razão - e superando o segundo - o eu - como critérios de argüição e reconhecimento do mundo.

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