segunda-feira, 27 de junho de 2011

REFLEXÕES SEM DOR.

- Rimbaud disse que é um erro dizer “eu penso”. Concordo com o poeta; talvez devêssemos dizer “pensam em mim”, “sou pensado por”, “pensam-me”.
Jung teve a mesma intuição ao dizer que “ninguém é senhor em sua própria casa”.
Paulinho da Viola também nos diz que “não sou eu quem me navega”. Nietzsche, como não poderia deixar de ser, também disse algo a respeito: “Um pensamento corre quando quer, e não quando eu quero. Assim, é falso dizer: o sujeito ‘eu’ é a condição para o predicado ‘penso’. Isso pensa, mas não existe a certeza imediata de que ‘isso’ seja o velho e famoso ‘eu’”. Bem, tudo leva a crer que há uma fonte primária da qual tudo e todos brotam. A pergunta, entretanto, parece ser “o que é essa fonte”, e não - como querem as religiões - quem ela é. O budismo e o zen - como filosofias que, prioritariamente, são - não têm a pretensão das respostas prontas e definitivas. O que propõem é melhorar a qualidade das perguntas e a profundidade das dúvidas.

- No campo da espiritualidade, sábio não é aquele que conhece algo, mas aquele que se converte no algo que sabe.

- Deus, no mundo, é o que é obscuro e o que é evidente.

- Que haja uma ordem no mundo, indica que há uma inteligência além dele.

- É no caminho da descoberta de quem somos que se descobre o caminho de quem Deus é.

- Parece certo que há uma força, uma ordem, uma inteligência que se manifesta na ordem e nas leis que regem o mundo e os seres vivos. Atribuir, entretanto, a essa força, a essa ordem, a essa inteligência atributos humanos é pura ingenuidade. Há 4.000 anos os mestres taoístas já haviam descoberto essa evidência mas, por não saberem o que ela é, chamaram-lhe de Tao.

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