Sim, o sagrado é o que roça, fuça, pica e enrosca; é o que pinga, escorre e derrete; o que ri, cheira e chora; chia, pia, mia; É o que range e o que rosna; escurece e clareia; esquenta e esfria; é o seco e o molhado; é o que sopra, venta e balança; o que anda, corre e o que hesita; é o bico, o rabo e o chifre; a garra, o casco e a pata; é a escama, o pêlo e a pena; o que tem cheiro, sabor e cor; no alto, é o que sobe e pula, no baixo, o que arrasta e enrosca; é o que nasce, cresce, divaga e sonha; o que mama, berra e se aninha; é o que cresce, o que goza e o que agoniza; é o que mata e o que morre; o forte e o fraco; é o que come e é comido; o cru e o cozido; é o frio e o quente; pra cima, o que brota, pra baixo, o que desce; é azul profundo, intenso branco, tranqüilo verde; é o que se vê e o que se sente; o que se aprende e o que não se sabe. O sagrado é tudo que é isso ou esse, aquele ou aquilo. O sagrado, somos eu e você.
Sim, foram elas, as religiões formais, que separaram, deslocaram, opuseram o sagrado ao profano. Foram elas que afastaram, cindiram, hierarquizaram, que deslocaram o sagrado do natural para o sobrenatural. E do imanente para o transcendente.
Sim, através da manipulação dessa angústia - a mortalidade do corpo - as religiões formais transformam o sagrado num objeto externo ao sujeito, isto é, num objeto de negociação, submissão e adoração.
ABSURDA LUCIDEZ.
Todos serão chamados e todos escolhidos:
o que discrimina perde poder.
SERENIDADE.
Há sempre um abismo a espera dos que duvidam.
A beira do abismo produz perplexidade e serenidade espiritual.
Estou perplexo e sereno.
Samanea tubulosa (Benth.) Barneby & grimes
Há 12 anos
Esse foi o post mais difícil. Seria o sagrado apenas o real ou também as alternativas? Seria o sagrado o real em nós ou o real objetivo externo e ininteligível? O sagrado tem alternativas? Se a natureza não tem moral, e apenas é o sagrado apenas é também? O amoral é sagrado, e o imoral é sagrado?
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