segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

PÉROLAS DE SABEDORIA CHINESA

- Certa vez, Yenô, o sexto patriarca, viu dois monges olhando a bandeira de um pagode flamejando ao vento. Um deles dizia: “É o vento que se move”, e o outro dizia: “Quem se move é a bandeira”. Mas Yenô lhes explicou que o movimento verdadeiro não era do vento nem da bandeira, mas de algo no interior de suas mentes.

- Certa feita, o monge Tao-Hsin encontrou o sábio Fa-Yung, que vivia num solitário templo do monte Niu-T’ou, e era tão puro que os pássaros costumavam lhe trazer flores. Enquanto os dois homens falavam, um animal selvagem rugiu ali perto e Tao-Hsin deu um salto. Fa-Yung comentou: ‘vejo que ainda está contigo!’, disse, referindo-se, a “paixão” instintiva do susto. Pouco depois, aproveitando o momento em que não era observado, Tao-Hsin escreveu o caracter chinês que significa Buda na rocha em que Fa-Yung costumava sentar. Quando Fa-Yung voltou ao seu lugar, viu o nome sagrado e hesitou em sentar-se. ‘Vejo’ disse Ta-Hsin ‘que ainda está contigo!’. A esta observação Fa-Yung alcançou o perfeito despertar, e os pássaros nunca mais lhe trouxeram flores.

Um comentário:

  1. Duas histórinhas impecáveis. A primeira me remeteu direto ao brain in a vat e ao Humberto Maturana. Maturana chegou à mesma conclusão no século XX usando apenas conceitos da biologia. Amazing!
    A segunda passagem tive que ler duas vezes, acho que esses nomes chineses me confundem. Depois li mais duas vezes e finalmente os pássaros pararam de me trazer flores.

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