segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

PENSAMENTOS / REFLEXÕES / CERTEZAS E DÚVIDAS QUE GOSTARIA DE TER TIDO

LOUIS PAWUELS
- Creio que tenho uma alma.
Creio em minha alma justa e infinita.
Esta fé nada tem a ver com a minha pessoa. Contudo, procuro conduzir minha pessoa à sabedoria, em consideração para com a minha alma.
Isto é tudo em que creio.


- Minha alma diz-me: autorização concedida; acredita no que tu desejares dentro do possível; dou-te razão se escolheres, entre tantas incertezas, a crença que for mais bela a teus olhos. Mas tua arte e tua glória não estão nisso. Tua arte e tua glória estão, simplesmente, em viveres.

- Aquilo que é efêmero no homem deseja movimentos e paixões e aquilo que é eterno deseja repouso e indiferença.

- As salas de espera nunca são lugares agradáveis. Se eu decidir ver esse mundo como um lugar de espera, então, sentir-me-ei flutuando, oprimido, inquieto, sem unidade, sem contato.(...) Se eu pensar que esse mundo não é mais que a espera de outro mundo, quem serei eu? Um nômade bloqueado numa galeria de passos perdidos. Um exilado do futuro. Uma falta de sorte num presente prisão. (...) Eu estou neste mundo, que é, simplesmente, o mundo, aqui e agora. Meu negócio é compreendê-lo e organizá-lo a fim de que a existência nele seja o mais interessante e o menos trágica possível. Essa maneira de ver atribuí à política um papel reduzido. Despoja-a de sua religiosidade. Opõe a seus desejos de poder meu desejo de presença.

Louis Pauwels, Crenças e dúvidas. Ed. Civilização brasileira, RJ, 1975. Louis Pauewls - 1920/19970 -, jornalista e escritor francês que escreveu em 1960 junto com Jacques Bergier o famoso livro O despertar dos mágicos, que fez sucesso junto a contra-cultura dos ‘60. Esse livro – uma viagem e um “barato” para os que se aventuram por suas 500 páginas - é considerado um dos marcos fundadores do Realismo Fantástico. Pauwels também escreveu um livro sobre o místico guru russo Gurdjieff e fundou, ainda com J.Bergier, a famosa revista Planete).


ANTONIN ARTAUD
- O olho de Van Gogh é de um grande gênio, porém a maneira como eu o vejo dissecar-me do fundo da tela em que surgiu não é mais o de um pintor genial neste momento, mas o de um filósofo que jamais encontrei na vida.
Não, Sócrates não tinha esse olhar, somente o desgraçado Nietzsche, antes dele, teve talvez este olhar capaz de desnudar a alma, de libertar o corpo da alma, de pôr a nu o corpo do homem, fora dos subterfúgios do espírito.

- Ninguém nunca escreveu ou pintou, esculpiu, construiu, inventou, a não ser para sair do inferno.

- Eu mesmo passei nove anos num asilo de alienados e nunca sofri da obsessão do suicídio, mas sei que, a cada conversa que tinha com um psiquiatra, de manhã, na hora da consulta, sentia vontade de me enforcar por ver que não podia estrangulá-lo.

- Há em todo demente um gênio incompreendido em cuja mente brilha uma idéia assustadora, e que só no delírio consegue encontrar uma saída para as coerções que a vida lha preparou.

- Porque a realidade é terrivelmente superior a toda história, a toda fábula, a toda divindade.

Antonin Artaud, Van Gogh, o suicída da sociedade. Ed. JoséOlympio. Artaud escreveu esse texto após visitar em 1947 a exposição de Van Gogh no Museu de L’Orangerie, em Paris. Morreu um ano depois. Esse não é um livro fácil de ler; talvez, exija um outro tipo de sensibilidade. Artaud teve uma vida complicada, com várias internações em asilos de loucos. Nos intervalos, escreveu textos sobre teatro, drogas etc. A sociedade e a sua cultura majoritária não souberam e não puderam assimilar essa mente brilhante e transgressora. Resta-nos comemorar e celebrar o seu legado, aliás como o de todos os excluídos - os fora do rebanho: os que ousaram sair dos trilhos.


THE GRATEFUL DEAD
- Quando a vida caminha fácil, o perigo bate à porta – “Uncle John’s Band” – Letra e música do The Grateful Dead. O Grateful Dead - junto com outras bandas da região de São Francisco na década de ‘60, como o Jefferson Airplane, Quicksilver Messenger Service, Country Joe and the Fisch, Big Brother and de Holding Company etc – foi, talvez o grupo que melhor e mais duradouramente uniu à sua música o seu modo de vida. Legítimo representante do que na época era chamado de Rock Psicodélico, os Dead, liderados pelo guitarrista Jerry Garcia (1942/1995), apresentavam-se em concertos públicos e gratuitos que duravam horas, embalados por generosas ofertas das mais variadas drogas. O grupo ficou famosos por suas longas improvisações ao vivo, e até hoje seus discos são uma fonte de inesgotáveis prazeres para todos nós que amamos o velho e bom roquenrol).

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