quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

ALBERTO CAEIRO

Pensar em Deus é desobedecer a Deus,
Porque Deus quis que o não conhecêssemos,
Por isso se nos não mostrou...

Sejamos simples e calmos,
Como os regatos e as árvores,
E Deus amar-nos-à fazendo de nós
como as árvores são árvores
E como os regatos são regatos.

E dar-nos-á verdor na sua primavera,
E um rio aonde ir quando acabemos...

E não nos dará mais nada, porque dar-nos mais seria tirar-nos mais.

Alberto Caeiro, Fernando Pessoa, Poesia Completa de Alberto Caeiro. Ed. Schwarcz, SP,2005. Alberto Caeiro (1888/1995), um dos muitos “outro de si mesmo” que Fernando Pessoa inventou e deu vida e arte próprias. Pessoalmente, considero Caeiro um perfeito filósofo taoísta, e tenho como projeto – quem sabe, um dia. – fazer um estudo comparativo entre sua obra e a de Lao-Tsé. Quer dizer, comparando-os, abordar Caeiro como poeta taoísta e Lao-Tzé como poeta simbolista
.

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