domingo, 19 de dezembro de 2010

SOBRE O HINDUÍSMO

- A filosofia indiana afirma com insistência que as possíveis experiências que a mente pode ter da realidade ultrapassam, em muito, a esfera do pensamento lógico. Para expressar e comunicar o conhecimento adquirido em momentos de intuição que transcendem o plano gramatical devem ser usadas metáforas, símiles e alegorias que não são meros adornos e acessórios dispensáveis, mas os próprios veículos de significação, impossível de ser alcançado através de fórmulas lógicas do pensamento verbal comum". Heinrich Zimmer, Filosofias da Índia.

- A religião hindu é um conglomerado de crenças e ritos; ainda que careça de missionários, são imensos seus poderes de assimilação. Não conhece a conversão no sentido cristão e muçulmano, mas pratica com êxito a absorção. Como uma imensa jibóia metafísica, a religião hindu digere lenta e implacavelmente culturas, deuses, línguas e crenças estranhas.
Octavio Paz, Vislumbres da Índia.

- O pensamento do Oriente é, portanto, original. Só se libera para nós, se esquecermos as formas terminadas de nossa própria cultura. Mas temos que compreendê-lo em nosso passado individual e coletivo: reside na região indecisa onde ainda não há religião e nem ainda filosofia (...) As filosofias da Índia e da China procuraram, mas do que dominar a existência, ser o eco ou o ressonante de nossa relação com o ser. A filosofia ocidental pode aprender com elas a reencontrar o contato com o ser, a opção inicial de onde nasceu, a medir as possibilidades que, ao nos tornarmos ‘ocidentais’, fechamos para nós e, talvez, a reabri-las.
Merleau Ponty, O oriente e a filosofia”. In:, Os pensadores.

- O hindu não consegue esquecer nem o corpo nem o espírito. O europeu, pelo contrário, esquece sempre um ou outro. Foi graças a essa capacidade que ele conquistou antecipadamente o mundo, isso não ocorrendo com o hindu. Este não somente conhece a sua natureza, como também sabe até onde ele próprio é essa natureza. O europeu, pelo contrário, tem uma ciência da natureza e sabe espantosamente muito pouco a respeito da
natureza que está nele. Carl Gustav Jung, Psicologia e religião oriental.
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