
Esse festival de rock aconteceu na Bélgica durante três dias, embaixo de uma enorme lona de circo.
Estava doidaço; acho que sou o único cara que dormiu num concerto do Pink Floyd...
A propósito: cheguei em Marseilla em 1967 (“entrei de gaiato num navio”, como diz o Herbert Vianna), e fui direto tomar o trem para Paris. Malinha comportada na mão e sapato Vulcabrás no pé - brasileirinho típico e tímido, saindo de uma repressão braba -, quando entro no saguão da estação, tive um choque existencial profundo: dezenas de jovens de cabelos compridos, calças boca-de-sino, mochilas nas costas, “baseados” rolando aqui e ali.
Caramba! Seria um sonho? Quem sabe, uma alucinação fugaz; um delírio passageiro, talvez?
Estaria eu, por acaso, nas portas do paraíso?
Esfreguei os olhos, respirei fundo e, de mansinho, me acheguei.
Como quem não quer, fumei unzinho que passava, distraído, de mão-em-mão.
E foi então que, tranquilão, pensei com meus botões:
“The right man in the right place”.

Que bom que você perdeu o trem. Esse desvio fez parte do caminho que te levou a você. Já eu, não perdi o trem e achei você. Sorte a minha também.
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