segunda-feira, 23 de maio de 2011

SOBRE KANT.

Diariamente, depois do almoço, sob chuva ou sol, o filósofo caminhava de sua casa em Königsberg - cidade de onde nunca saiu - até o campanário da fortaleza de Friedrichsburg "seguindo sempre o mesmo caminho, batizado pelos moradores 'caminho do filósofo'. Sabia-se a hora sem ter necessidade do campanário: o filósofo passava...". In: Jean-Baptiste Botul, A vida sexual de Immanuel Kant.
Kant "jamais levava companhia, em parte para retomar suas meditações, em parte porque desejava respirar exclusivamente através das narinas, coisa que não poderia fazer se fosse obrigado a abrir a boca continuamente na conversa. A razão para tal desejo era que o ar atmosférico, percorrendo um circuito mais prolongado, consequentemente chegava aos pulmões num estado de menor rudeza, e a uma temperatura um pouco mais elevada, apresentando menor probabilidade de irritá-los”. Thomas De Quincey. Os últimos dias de Immanuel Kant.
Quanta disciplina e método o germânico caminhante ergueu em torno de si mesmo. Uma mente rigorosa que se embrenha pelos abismos de si necessita de rigor para sobreviver as exigências de seu próprio destino, isto é, de seu próprio caminho, isto é, de si mesmo.

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Um comentário:

  1. E também porque uma gota a mais de ar, pode fazer o balde derramar.
    E uma gota a menos não o deixará respirar.

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