O KOAN
Atalho para o abismo.
A vertiginosa via intuitiva cujo sentido
- o fundo do poço -
não se encontra em lugar algum.
(O poço... sem fundo,
E o fundo... sem poço).
KOAN PROFANO
O que é que está onde nada há a ser buscado ou encontrado?
Onde o que busca, não é diferente daquilo que busca?
E o que é encontrado já está naquele que encontra?
O fim dessa busca, inevitavelmente, aponta para o seu início. Quer dizer: “olho vivo e faro fino.” (Personagens de desenho animado curtidos em deliciosas manhãs de puro ócio diante da televisão. A propósito: nunca entendi esse conceito de “ócio criativo”. Para mim, “ócio criativo” não passa de ócio culpado. A criatividade, de fato, não pertence ao universo de possibilidades inerentes ao ócio, mas às do trabalho. Criatividade é fazer; ócio é não-fazer. “Ócio criativo” é como o hobby, essa invenção americana que convence você a trabalhar enquanto descansa... do trabalho. E viva Rimbaud que aos dezessete anos já havia percebido as armadilhas do trabalho: “Pedi-lhe que me indicasse ocupações pouco absorventes porque o pensamento reclama grandes períodos de tempo”. "O trabalho está mais longe de mim, do que minha unha está de meu olho”. A. Rimbaud, “Carta a Paul Demeny” e “Carta ‘martírica’ a Verlaine”. In: Ivo Barrosso, Arthur Rimbaud. Correspondência).
A LOUCURA E O KOAN COMO LOUCURA.
A loucura e a loucura do koan têm em comum uma linguagem simbólica cujo sentido jaz oculto no inconsciente. São linguagens fechadas, isto é, dependem de um código próprio de acesso, uma interpretação para que seus conteúdos emerjam com as verdades que de são portadores. Linguagens que proporcionam - a nós cidadãos aparentemente sãos - um vertiginoso mergulho nos labirintos e abismos de nós mesmos. (Já o que os separa, é que um - o Koan como método dentro do Zen - retorna desse mergulho. Já a outra - a loucura -, bem... a outra, não).
É como se ambos nadassem num mesmo oceano de subjetividades, embora um - o koan - emerja dessa experiência com um significado, enquanto o outro - o louco - se afoga num mergulho sem retorno - ainda que pleno de significado interno.
Na verdade, delirando e subvertendo os conteúdos usuais da razão, o koan dissolve qualquer possibilidade interna de controle, despertando e desencadeando o que mais tememos: nossa própria e singular loucura, pois se a razão nos assegura que somos todos sãos, que podemos conviver e suportar a loucura de alguns como uma exterioridade que não nos é própria enquanto sujeitos singulares, o koan postula o contrário: que somos todos loucos, porque somos o que não pensamos que somos, loucos também, pelo inverso e pelo avesso de nós mesmos.
Nada aterroriza mais a razão que o delírio do pensamento. “Acho que a razão moderna é semelhante àquela concepção medieval da terra chata. Se a gente se arriscar muito além das fronteiras, corre o risco de cair no abismo da loucura. E as pessoas morrem de medo disso. Acho que o medo da loucura é comparável ao medo que as pessoas tinham de despencar de cima da terra”. In: Robert M. Pirsig.“Capítulo 14”. Zen e a arte da manutenção de motocicletas.
KOAN PROFANO.
Loucura é o oposto de razão.
Razão é loucura.
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Samanea tubulosa (Benth.) Barneby & grimes
Há 12 anos
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