- O real nunca é igual, e cada um nunca é só um.
- Quando os caminhos do pé e os caminhos da cabeça são um só caminho, então, o caminho do pé é um caminho de sabedoria.
Em tempo: “caminhos do pé” significa: “Uma embriaguez acomete aquele que longamente vagou sem rumo pelas ruas. A cada passo, o andar ganha uma potência crescente; sempre menor se torna a sedução das lojas, dos bistrôs, das mulheres sorridentes e sempre mais irresistível o magnetismo da próxima esquina, de uma massa de folhas distantes, de um nome de rua”. "O Flâneur". In: Walter Benjamin, Charles Baudelaire, um lírico no auge do capitalismo. Obras escolhidas, vol. III. Significa também “Flanar é ser vagabundo e refletir, é ser basbaque e comentar, ter o vírus da observação ligado ao da vadiagem (...) Oh! Sim, as ruas têm alma. Há ruas honestas, ruas sinistras, ruas nobres, delicadas, trágicas, depravadas, puras, infames, ruas sem história, ruas tão velhas que bastam para contar a evolução de uma cidade inteira (...) Qual de vós já passou a noite em claro ouvindo o segredo de cada rua? Qual de vós já sentiu o mistério, o vício, as idéias de cada bairro?”. In: João do Rio, A alma encantadora das ruas. E significa ainda: “Transeuntes eternos por nós mesmos, não há paisagem senão o que somos”. Fernando Pessoa, O livro do Desassossego. “Caminho do pé”, portanto, é próprio daqueles que perambulam e, porque perambulam - a rua como paisagem e espetáculo -, sonham, e porque sonham, perambulam. Poetas do ócio cotidiano. Ociosos sonhadores que atualizam o (seu) presente. Quanto mais sonham, mais caminham, quanto mais caminham, mais sonham. Quanto mais sonham e mais caminham mais si percorrem. Passeiam pelo real para imaginá-lo, imaginando-si. O exterior a si como interior de si.
- Um pouco menos de ortodoxia e um pouco mais de poesia fariam um bem danado a esse mundo.
- No jardim de Epicuro o ser frutifica.
(“Não fazia os seus cursos a certas horas, mas passava todo o dia no jardim, falando familiarmente com uns e com outros, de modo que não se via nele um mestre rodeado de discípulos, mas um grupo de amigos que filosofavam juntos”. In: J. Mewaldt, Pensamentos. Epicuro).
Samanea tubulosa (Benth.) Barneby & grimes
Há 12 anos
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