terça-feira, 17 de maio de 2011

A ILUMINAÇÃO PROFANA DO BUDA.

Não qualquer um - tronco -
nem qualquer uma - árvore -
O Buda sentado junto.
Dois seres:
Idéias entre si.

Só um sábio escolheria o tronco de uma árvore para sentar embaixo... e pensar com. Repare: toda a sabedoria de ser no mundo a partir do simples tronco de uma árvore simples: e o Buda, bem-aventurado... sentou-si bem embaixo dela! Bem, consta que Santo Agostinho também se converteu ao catolicismo embaixo de uma árvore. Rousseau também se iluminou - profanamente - embaixo de uma delas: “(...) senti minha cabeça sendo acometida por uma confusão que beirava à embriaguez. Uma violenta palpitação oprimia-me o peito. Não podendo mais respirar andando deixei-me cair sob uma das árvores da avenida. Passei ali meia hora numa tal excitação que, quando me levantei, vi que tinha molhado de lágrimas meu casaco sem perceber que as tinha derramado. Oh senhor, se pudesse um dia descrever apenas uma fração do que vi e senti embaixo daquela árvore"
. J.J. Rousseau. In: Ernst Cassire, A questão Jean-Jacques Rousseau.
É perfeitamente adequado, pois, que Buda e árvore si remetam e si confundam de modo a que não se saiba mais - na iluminação profana do Buda - onde começam-si e terminam-si. Porque, já então, não haverá mais Buda, nem tronco, nem árvore a serem diferenciados, percebidos e sabidos como tais.
Repare mais uma vez: um sujeito - como eu e você - que se ilumina em baixo de uma árvore! Pense nisso, abrace uma delas, experimente, sente-si você também embaixo de uma árvore! Quem sabe.... Construa uma história para a iluminação profana do Buda, fazendo dela - é claro! - a história da sua própria iluminação profana.
Sendo isso e assim, essa é, precisamente, a chave da porta que se abre para um ou outro lado, para dentro ou para fora. Depende de quem?... bem, nesse caso, não se esqueça de mantê-la sempre aberta... pra dentro, é claro! Mas, em todo caso, não se preocupe: os caminhos que levam a iluminação profana são muitos e são todos porque, no fim das contas, não há caminho algum que leve a iluminação profana: trata-se, sem dúvida, de uma terra sem caminhos. (Se é que você me entende...).

Um comentário:

  1. Quando sentamos embaixo de uma árvore, na verdade sentamos ao lado dela, mas por ser muito maior que nós, por nos fornecer sombra, por nos dar abrigo à chuva, nos sentimos sob a árvore. É difícil sentir-se lado a lado com uma árvore, há um desequilíbrio natural. Ela é como um grande espreguiçar lento e eterno, estendendo os galhos.
    Koan: Quando nosso espreguiçar gera frutos?

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