Hoje, adulto, não devo nada a filosofia (a não ser, é claro, o fato dela ter me despertado para a aventura do pensamento: o exercício de ser eu mesmo).
Sou um pensador avulso, de superfície, sem filiação ou linhagem (do tipo que anda com suas pernas: curtas, mas próprias). Não sou filósofo, a não ser para mim mesmo, isto é, para dar conta - com mínimo rigor e máximo prazer - de minhas questões, conflitos e perplexidades.
Não sigo esse, nem aquele; não sou isso, nem aquilo.
Entre os muitos ismos, anos e istas que a filosofia contempla, a muito custo e a duras penas - e dentro de limites intelectuais severíssimos -, escolhi o guilhermismo: sou guilhermiano e guilhermista (que ambicioso e magnífico projeto: uma vida inteira pensando em si próprio, a maneira de Nietzsche e Borges).
A filosofia é uma desculpa para abrigar pensamentos dos que têm prazer com os pensamentos que têm. Uma técnica de reflexão para os que gostam de pensar por si próprios sobre si mesmos, pois os filósofos, é claro!, falam exclusivamente de si próprios.
Bem, uns fazem melhor, outros pior, uns sabem muito e bem, outros pouco e nem tanto. Alguns são profissionais, e muitos, como eu, amadores e diletantes.
A propósito:
Uma vez, um professor de filosofia, um filósofo profissional, disse que eu não passava de um diletante. Magoado, fui ao dicionário: “Dilettante: do italiano dilettare: deleitar-se com, aquele que faz as coisas por gosto e não por obrigação”.
Que maravilhoso presente esse professor me deu! Nunca pude dizer-lhe o quanto ele estava certo, e o quanto estava grato por ele ter me apresentado a mim mesmo.
De resto, um filósofo, diz Nietzsche, deve caminhar sozinho.
Filósofos bastam-si!
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Samanea tubulosa (Benth.) Barneby & grimes
Há 12 anos
Muito mais que diletante. Pelo prazer e definitivamente longe do superficial. Guilhermiano sim, mas sobretudo Luiz. beijo
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