quinta-feira, 15 de setembro de 2011

NIETZSCHE E O BUDISMO.

Diz Nietzsche: “(...) surgiu após séculos de atividade filosófica; o conceito de Deus já não tem qualquer valor em sua gênese. O Budismo é a única religião autenticamente positiva que a história nos mostra, também incluída aí a sua teoria do conhecimento; ela não diz ‘luta contra o pecado’, senão, dando total razão à realidade, diz ‘luta contra o sofrimento’. Deixa atrás de si - e isso distingue-o profundamente do cristianismo - esse logro de si próprio que são as concepções morais; coloca-se, para falar a minha linguagem, para além do bem e do mal”.
In: Friedrich Nietzsche, O anticristo.
Mas Nietzsche tem uma posição ambígua em relação ao Budismo. Por um lado, prevendo uma associação dele com os “espíritos livres” do Ocidente, afirma que sua doutrina contemplativa pode produzir uma nova interpretação do homem, solucionando os enigmas do mundo. Por outro, vê o Budismo como uma ameaça à que a civilização ocidental deve evitar: “Escolher a Grécia e não a Índia é evidentemente, para o Nietzsche desses primeiros anos [1871], a mesma coisa que escolher Wagner e não Schopenhauer. Assim são as equivalências:
- De um lado o Budismo, Schopenhauer, a Índia, a paz, o quietismo, a fraqueza.
- De outro, a força, o conflito, a Europa, Wagner, a tragédia”.
In: Roger Pol-Droit, Le culte du néant.

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