quarta-feira, 19 de maio de 2010

A dupla dobra do mundo

Um elefante acumulando memórias de suas vidas passadas.
Uma dançarinha nos bosques de Sakyamuni.
Um filósofo perdido dentro de si mesmo.

Uma velha dama sem sentido, sem rumo e sem prumo.
Um tocador de alaúde dormindo à beira da velha muralha.
Uma cobra - como as duplas dobras do mundo -
mordendo eternamente
seu próprio rabo.

Labirintos do tempo.
Sonhos: todos em cada um,
e muitos,
ao longo de si mesmos.

(Borges e eu,
entre idéias
numa biblioteca imaginária).

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