No Budismo Mahayana a compaixão é um atributo dos Bodhisattas, iluminados que renunciam ao Nirvana enquanto todos não forem salvos. A propósito: aprendi com Nietzsche a não ter medo dos meus próprios delírios. Assim, gosto de pensar que o Super-Homem, tal como pensado por Nietzsche é o perfeito Bodhisatta, tal como pensado pela filosofia budista. Um realiza “boas ações”, o outro manifesta a “Vontade de Poder”. Um e outro pretendem devolver ao homem sua “Potência de Ser”. Ambos morrem para si, para renascer em si.
Designando uma ruptura possível, ambos apontam para a “superação” do humano.
De um lado, o passado irrecuperável, de outro, o tempo irreversível. Um e outro se situam nesse abismo, nessa brecha que fere, que dilacera e cinde o ser.
O Super-Homem nietzschiano e o Bodhisatta indiano - de certo modo, a circularidade e a permanência do sentido no mundo - são utopias do Humano: por serem como são, anunciam o fim da história.
Ambos são uma “vertigem da lógica.”
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