quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Estava folheando um livro sobre a arte antiga da Índia,quando me deparei com essa imagem do Buda. Fiquei impressionado, por dois motivos: o primeiro diz respeito as feições dele. Repare: trata-se de um Buda com um rosto nitidamente europeu, um Buda grego, apolíneo. Já comentei, há muitos post atrás, sobre essa influência da cultura grega sobre a arte hindu e sobre a estatutária budista, em especial. Naquele post, disse o seguinte: “A partir do Caminho da Seda, passando pelo Império Persa, por gregos e romanos, se torna intensa, múltipla a influência cultural do Ocidente no Oriente. As primeiras imagens do Buda foram esculpidas a partir das invasões da Ásia pelas tropas gregas e macedônias de Alexandre em 327 a. C. Os citos e os partos, bem como os gregos da Bátria, que ocupam a partir do século 2 a. C a Bacia do Indo e do Alto Ganges, também contribuíram com representações pictóricas de Sidarta Gautama. É por isso que as primeiras esculturas do Buda têm o perfil do deus grego Apolo, e é como tal - um Buda apolíneo - que essa arte greco-budista se espalha por toda a Índia, China e Japão”.
Bem, a segunda coisa que chamou minha atenção nessa imagem foi o aspecto geral do Buda, esquelético, esquálido, certamente uma referência religiosa as praticas de ascetismo propostas pelas religiões formais. Nelas, ele é um meio e um método de alcançar, de se dirigir e se comunicar com o divino. A comunicação pela dor, pelo flagelo, pelo sofrimento. Pessoalmente, acho incrível essa idéia de que o prazer - o encontro com o transcendente - possa ser resultado do sofrimento e da dor. Pra mim, não posso nem acreditar nem aceitar essa premissa perversa.

Por outro lado, andei pensando e matutando, andei, enfim, curtindo a idéia de que é um equívoco, um erro de referência supor que as imagens corriqueiras do Buda meditando correspondem realmente ao Buda meditando. Quer dizer, a idéia é que, ora, o Buda meditando ainda não era o Buda!, do contrario, não seria mais preciso meditar, uma vez que ele já teria chegado à iluminação.
Logo, o que vemos nessas imagens não é o Buda mas, apenas, Sidarta Gautama meditando para se tornar o (ou um) Buda.
Certo?

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Um comentário:

  1. Interessante esse buda (histórico) meditando sobre o joelho, como o pensador de Rodin!
    http://www.flickr.com/photos/pennmuseum/3687882346/in/set-72157620815557453/

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