sexta-feira, 29 de julho de 2011

A RELIGIÃO E SUAS CERTEZAS.

Em seus próprios termos, as religiões formais oferecem promessas verificáveis e evidentes por si mesmas.
Assim:
- Um sentido para a vida - através da fé.
- A fé num Deus - que pune os maus e recompensa os bons.
- A confiança incondicional Nele - contra o medo e a insegurança.
- A comunhão tranqüilizadora através de práticas coletivas e solidárias.
- A consolação diante da inevitabilidade da morte.
- A certeza da redenção e da salvação.
Verdades exclusivas, definitivas e universais. E promessas, bem entendido - uma vez que você só as desfrutará depois de morto -, veiculadas como verdades definitivas, universais e exclusivas.
Certezas que logo se transformam em dogmas.
Uma verdade definitiva, exclusiva e universal aprisiona e engessa. Fragiliza, enfraquece a alma. É como diz o poeta: “Ninguém sabe que coisa quer/Ninguém conhece que alma tem/Nem o que é mal nem o que é bem/Tudo é incerto e derradeiro/Tudo é disperso, nada é inteiro. (Fernando Pessoa, O EU profundo e os outros EUS).
Só há uma universal, exclusiva e definitiva verdade:
Toda verdade é precária, múltipla e provisória.

A fé, por sua vez, de nada duvida e a tudo responde:
(Acreditando que tudo está dado, ela paralisa a experiência do possível).
Pelo viés da certeza e do dogma, ela funciona, agrega e consola porque envolve a crença na continuidade do ser diante da sua inexorável descontinuidade.
- Dota a vida - diante da morte - de um significado.
- E a morte - diante da vida - de um sentido.
Mas ela também cobra seu preço: perda de autonomia existencial e psíquica, dependência, limites. Mas o religioso, certamente, responderá que sua autonomia psíquica e existencial se dá dentro da igreja e da religião formal. Bem, não deixa de ser um ponto de vista, já que a dúvida também não deixa barato as questões que levanta.
Entretanto, me parece certo que uma verdade imutável empobrece, ao passo que uma dúvida profunda enriquece.
(Ter certezas sobre os mistérios da vida é empobrecê-los/empobrecê-la/empobrecendo-se).
É por isso que o ateísmo não embute certezas definitivas, universais e exclusivas: ele é simples reflexão, opinião, conflito... e profunda solidão.
Certezas religiosas são uma espécie de bengala psicológica na qual o sujeito se apóia para não cair dentro de si mesmo.

(É que cair dentro de si mesmo... doi!).

Nenhum comentário:

Postar um comentário