quinta-feira, 14 de julho de 2011

A FÍSICA MODERNA E O TAOÍSMO.

“A concepção de universo e de matéria é tão avançada no taoísmo que não surpreende que a física moderna - racional, pragmática e lógica - esteja hoje corroborando algumas de suas mais estranhas afirmações. Um dos mais enigmáticos conceitos do tao é o que diz respeito ao não-ser, de onde, segundo ele, provem o ser - pois como pode o que não é, gerar o que é? Tanto como na física moderna não se pode afirmar que uma partícula exista num determinado lugar, nem que ela não exista nesse mesmo lugar. Ela existe e não existe ao mesmo tempo, nesse lugar e em lugar nenhum, o que quer dizer que as funções probabilísticas dessa partícula fazem com que ela possa estar em vários lugares simultaneamente e em nenhum deles especificamente. O que a moderna física quântica e a física das partículas mostram é que não há entidades distintas na matéria, mas que elas se vinculam indisssociavelmente entre si e em seu ambiente. Isso significa que suas propriedades particulares só podem ser entendidas, se vistas a partir de suas interações recíprocas e com o meio que as circunda”. Fritjof Capra, O Tao da física.

SEGUNDO A FÍSICA MODERNA:
Dentro do campo da Mecânica Quântica, o físico Werner Heisenberg criou um conceito que denominou “Princí
pio de Incerteza”, segundo o qual qualquer tentativa de se determinar a posição de uma partícula qualquer, muda necessariamente a determinação da posição dessa determinada partícula.

- "Se perguntamos se a posição do electron se mantém igual no tempo, devemos dizer que não; se perguntamos se a posição do electron muda com o tempo, devemos dizer que não; se perguntamos se o electron está em repouso, devemos dizer que não; se perguntamos se está em movimento, devemos dizer que não". Oppenheimer. In: Luis Racionero, Filosofias del underground.

- "Temos que admitir que a estrutura da célula nunca será compreendida como a da água ou a das moléculas da glicose. A estrutura exata da maioria das macromoléculas dentro da célula continuará desconhecida e, alem disso, sua localização relativa no interior da célula só pode ser vagamente estimada". James Watson. In: Molecular Biology of the gene.

SEGUNDO O TAOÍSMO:
- "Sendo inefável, só é exprimível negativamente; não possui qualidades sensíveis, não tem atividade, ainda que seja suprema eficácia; não tem forma, nem nome. As palavras de que somos obrigados a servir-nos só podem, quando muito, representar os seres finitos e suas qualidades – o tao está fora do seu alcance". Max Kaltenmark. In: A filosofia chinesa.

- "O que viu, mas não foi visto – eis como se define o Invisível.
O que ouviu, mas não foi ouvido – eis como se define o Inaudível.
O que tocou, mas não foi tocado - eis como se define o Intangível.
(...)
Não é por sua ascensão que existe a Luz,
Nem por sua profundidade que existe a escuridão.
Incessantes e contínuas,
Nenhuma pode ser definida.
(...)
E porque esta é chamada também o Inevitável:
Tenta encontrá-la e não verás sua face;
segue-a e não verás suas costas".
In: A filosofia “materialista” chinesa. (Ed. Associação Macrobiótica de Porto Alegre).

- "O tao não pode ser ouvido; o que se ouve não é ele. O tão não pode ser visto; o que se vê não é ele. O tão não pode ser enunciado; o que se enuncia não é ele; Quem engendra as formas é sem forma". Chang-Tzu. In: François Cheng, Vacío y Plenitud.

Gosto de pensar que o Big-Bang partiu do que os budistas denominam de vazio -
o que tudo contém -, pois esse conceito contempla a idéia de um, digamos, "sopro primordial" que deu origem ao universo, tanto quanto o mantém em equilíbrio e harmonia.
De qualquer modo, a diferença entre essas afirmações - a semelhança sendo que partem do mesmo princípio e dizem a mesma coisa - é a de que a do taoísmo remonta a uma época incrivelmente anterior, quando não se sabia o que era física, ciência, electron, moléculas, partículas etc. Hoje, as certezas da física moderna corroboram as intuições do taoísmo clássico: certezas como intuições, na física; intuições como certezas, no taoísmo.
O conceito de “vazio”, por sua vez, é uma das mais instigantes, difíceis e complexas de toda a doutrina do taoísmo (também do budismo e do zen). De qualquer modo, acho que o que a física moderna e o taoísmo têm em comum é essa constatação de que há um lugar, ou melhor, um não-lugar, pleno de significado e conteúdo. O que ele é (ou não é), no que consiste, bem, isso nenhum dos dois sabe.... Sabem, por outro lado, que ele existe, mas não sabem onde ele está, não sabem de que matéria é feito, nem sabem porque ele é assim, e não de outro modo. Parece que há algo no universo – no micro e no macro – que, por algum motivo não se mostra, senão através de seus efeitos. É Deus, é o Tao, é o vazio, não importa, ele nunca será (ou não será) o que você achar que ele seja.

(Se é que você me entende...).

O VAZIO.
A forma não tem conteúdo.
Faz parte do vazio.
O vazio tudo penetra.
Conteúdo é a sua forma.

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2 comentários:

  1. Na verdade não entendo o vazio, uma vez que somos sempre preenchidos de
    nós mesmos
    do que nos rodeia
    dos outros que habitam dentro de nós
    e do espaço que completa o que ainda não nos sabemos.
    É isso.
    Algo preenchido
    Não necessariamente cheio
    Porém longe do vazio.

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  2. Eu tenho muita restrição ao livro do Fritjof Capra. Ele compara pedra com bolacha e diz que tem a mesma essencia por algumas caracteristicas comuns. Não que seja tudo coincidência, mas a física quântica tem tantos não-seis que claro fica parecida com qualquer filosofia. Me decepcionei com o livro em vários momentos que achei que eram forçação de barra. Lembro que a medicina antiga procuravam no formato das plantas a chave para seu uso, assim uma folha em forma de coração devia ser boa para o tal. Isso durou muito tempo. Analogias muitas vezes escondem desconhecimento.

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