sábado, 16 de abril de 2011

POEMA QUE GOSTARIA DE TER ESCRITO.

Entrei na padaria.
Ninguém notou.
Um cartaz dizia

O sonho acabou.
Georges Lacombe.

Lendo esse poema do Georges pensei que o significado da História (também) está no banal. Isso, de imediato, me remeteu ao Walter Benjamin. Acho que ele foi o primeiro filósofo a pensar o significado do cotidiano e do comum como conjunto de fatos inseridos no tempo histórico e condicionados por ele. Foi por isso, talvez, que ele percorreu as Galerias Parisienses, que fumou baseados com seu amigo Ernst Block, que observou a moda, os filmes de Chaplin, as gravuras de Klee; certamente, foi por isso que ele se debruçou sobre o teatro de Brecht e a literatura infantil, pelo surrealismo, pelos jogos de azar e pela prostituição (“Livros e putas podem-se levar para a cama... livros e putas remoçam muito”. In: WB, Obras Completas, vol II).

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