Esse texto foi retirado do livro Caminhos para Deus. Ensinamentos do Bhagavad Gita, de autoria de Ram Dass. (Ram Dass é, na verdade, Richard Alpert que ficou famoso na década de ‘60 quando, como professor de psicologia em Harvard, iniciou junto com Thimoty Leary, um laboratório para a exploração de estados alterados de consciência através da ingestão de drogas diversas, principalmente do LSD. Expulsos de Harvard, Richard - ou melhor, Ram Dass, “servo de Deus” - enveredou pelos caminhos da religião oriental, tornou-se discípulo de Maharijii e hoje escreve livros e dá palestras ao redor do mundo.
- Entre nós, aqueles que estiveram envolvidos na pesquisas com cogumelos e com o LSD na década de’60 experimentaram efeitos similares através dos psicodélicos. Eles nos abriram espiritualmente, foram realmente um sacramento. Aldous Huxley disse que eles foram “um presente gratificante da graça divina”.
Substâncias semelhante ao soma são mencionadas em vários sistemas hindus. No ashanga yoga de Pântagili, por exemplo, existem referências ao uso de substâncias químicas para alterar a consciência. Alguns especulam que cogumelos psicodélicos estavam na própria essência das práticas yogues. Essa foi a teoria de Gordon Wasson. Gordon Wasson é um micologista mas, antes de se especializar nessa área, foi vice-presidente da Morgan Guarantee Trust Company, em Nova York. Interessou-se pelos cogumelos sagrados conhecidos no México como teonanacatl - “a carne dos deuses”; eles são cogumelos psicodélicos que, com algumas poucas outras variedades, são capazes de provocar estados alterados de consciência. Após ter começado a trabalhar com o teonanacatl, Wasson se aposentou como vice-presidente da MGTC e começou a viajar pelo mundo estudando cogumelos e seus usos religiosos. Descobriu que havia “pedras de cogumelos” - pedras esculpidas em formatos de cogumelos - que estavam ligadas a religiões muito, muito antigas. Sua tese foi que os místicos yogues originais da Índia eram comedores de cogumelos das montanhas do norte que tinham descidos para o vale do rio Indo;mas os cogumelos sagrados não cresciam ali e eles, então, desenvolveram todas as práticas yogues - pranayama, hata yoga e raja yoga - para tentar reproduzir os mesmos estados de consciência que os cogumelos tinham originalmente proporcionada a eles.
E esse conhecimento não ficou limitado à Índia. Carl Heinrich, um etnobotânico de Santa Cruz, Califórnia, sugere que o “pão” que Jesus ofereceu na Última Ceia foi na verdade um cogumelo psicodélico chamado agário voador, que se parecia com um pão tipo pita e era apreciado por seu sabor e também pelos seus efeitos. As substâncias psicodélicas foram também utilizadas no Ocidente. Não existem mais muitas dúvidas de que os ritos entre os antigos gregos incluíam modos de alterar a consciência para “uma vida melhor através da química”. Parece que uma poção chamada kikeon, tendo como base a ergotina, era utilizada nos Mistérios de Elêusis. Cerca de três mil pessoas participavam ao mesmo tempo nos rituais em Elêusis, e Platão e Aristóteles estavam ente os iniciados.
- A situação que encaramos no momento é que a maioria das substâncias psicodélicas atualmente é ilegal. Quando as pessoas me perguntam o que penso sobre a política do governo em relação aos psicodélicos, sempre respondo que o mais razoável a fazer quanto a essas substâncias que alteram a consciência humana é educar as pessoas e não policiá-las. Trata-se realmente de bom senso preparar as pessoas para uma experiência psicodélica, talvez até ara licenciá-las, da mesma maneira como agimos antes de permitir que alguém dirija um veículo. Mas não devemos proibir ninguém de usar qualquer substância que escolher. É preciso respeitar o direito dos outros seres de alterar e explorar a sua própria consciência à maneira deles. Esta deveria ser a liberdade humana básica.
- A maneira como encaro a questão é que os estados de consciência estão sempre disponíveis se não os ocultamos por meio do apego a nossos próprios pensamentos. Todo ele está sempre disponível para todos nós – porém sabermos disso ou não, depende de quem imaginamos que somos.
Bem, no que me diz respeito, andei tomando uns LSDs na Europa (Amsterdam) e mais alguns poucos, por aqui mesmo, logo que voltei na década de ‘70. Também andei comendo uns cogumelos que catávamos nos ermos da Barra da Tijuca, eu e um americano mucholoco que conheci nessa época e, um pouco mais tarde, nos altos de Visconde de Mauá, catados junto as bostas dos bois que pastavam nos pastos da região.
Se alteram minha consciência?
Sei lá!, o que você acha?
Samanea tubulosa (Benth.) Barneby & grimes
Há 12 anos
Acho que você acabou por convencer o cogumelo de que ele era a sua consciência. bjs
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