sexta-feira, 21 de janeiro de 2011



Janeiro de 2010. Pós-operatório, perdi 12 quilos, às vezes me sentia fraco e meio tonto. Aí me lembrei das minhas bengalas; ao longo do tempo, sem saber muito bem porque, sempre que podia ou via alguma, comprava. Tenho umas quatro ou cinco.
Bem aí pensei: é agora! As pessoas ficavam meio apreensivas quando me viam com uma, perguntavam se seu estava bem, qual a razão dela etc. (Até o oncologista me perguntou, preocupado, quando eu, solenemente, encostei-a na sua mesa). Essa era, justamente, a “deixa” que eu ficava esperando para explicar que ela atendia a dois motivos paralelos e igualmente importantes:
- Compor com dignidade e charme o novo personagem que surgia das cinzas.
- Tal como os charutos (vide Freud), as bengalas (vide Borges), dependendo de quem as usa, são uma metáfora da sabedoria.
(Conjectura sem dor: à Freud, faltou a bengala; à Borges, o charuto. Isso quer dizer que, se eu conseguir reuní-los num só ato, caraca!, minha vida terá sido um sucesso para mim mesmo. Não vejo a hora...).

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