segunda-feira, 4 de outubro de 2010

ENIGMA

E então,
que Deus virá, um dia, nos confortar
de nossas humanas fragilidades?
Qual provará o doce amargo
que nos revelará, afinal, quem somos?
Seis palmos de terra é a medida certa de cada um.

(Um gato miando e balançando a cauda.
Loucura... é o cotidiano dos simples!).

E então,
o que é o tempo que marca compassos díspares,
conforme se é vivo,
conforme se é morto?

E então,
quem beberá do cálice santo numa cerimônia pagã,
e quem dirá, como o verdadeiro deus,
que em sua infinita ausência sucede à todos:
"Eu sou aquele que sou"?

E então,
que filósofo, hoje,
- eu, você? -
se debruçará sobre o mesmo rio que Heráclito disse
que não se pode atravessar duas vêzes?

(E então,
só entre cinzas de meu corpo inerte,
saberei, afinal, com retidão,
quem fui e quem, agora, sou).

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