sábado, 19 de novembro de 2011

REFLEXÕES SEM DOR.

- Sempre que mato uma barata na ponta de uma vassoura – aliás, por injunções exteriores a mim, e contrariando algumas de minhas mais profundas crenças – sempre me pergunto por que elas viram imediatamente de cabeça para baixo, ficando com as perminhas pra cima. Então, fico imaginando – uma hipótese consistente, sem dúvida – que essa é uma sábia posição de alavancagem, que já a deixa pronta e preparada para subir mais rápido pelas escadas que levam ao Paraíso.


- Talvez não devêssemos dizer “morro”, mas “morre-se”. Talvez seja a possibilidade desse “eu coletivo” – isso que chamam, quem sabe, “alma” – que funda e justifica nossa própria individualidade, nossa própria justificação como sujeitos singulares.


- A morte é a mais ausente das presenças.


- É no caminho da descoberta de quem somos que descobrimos quem Deus é.


- Que aja uma ordem no mundo, indica que há uma inteligência além dele.


- Deus no mundo é o obscuro e o evidente.


- A mais bela, a mais certa, a mais instigante, mais misteriosa, a mais profunda reflexão existencial já proferida na história da filosofia: “Morra na hora certa”. Nietzsche.

Sim, sei que já falei dessa frase muitas vezes nesse blog, mas é que ela não me sai da cabeça. Ultimamente tenho curtido o seguinte: “Morrer na hora certa” é uma recurso para você usar na hora da sua própria morte (se der tempo, é claro). Quer dizer, se você souber que está morrendo na (sua) hora certa, então, quem sabe, não haverá mais conflito,mas reconciliação.

De resto, é o seguinte: já que não resposta, que tal melhorar a qualidade da dúvida?

Caraca! Será que esses posts ficaram meio mórbidos? Já disse que ia tentar falar menos de filosofia e mais de roquenroll. Mas, quando sento diante do computado,r são essas coisas que pintam na minha cabeça. Fazer o quê?

São as palavras que me ditam.

2 comentários:

  1. Concordo que os posts estão mórbidos!
    Mas, Vamos lá. Morrer na hora certa?! Acho que é uma construção que Nietzsche fez porque não estava no século XXI! Neste século, morre-se sempre na hora errada. A medicina dá mais conta do que deve às vezes ou não consegue dar conta ainda em outras. Logo, sempre sobra o inesperado.
    Acho melhor curtir a vida do que pensar que se pode controlar a morte.

    ResponderExcluir
  2. Interessante comentário da Gláucia sobre a medicina interferindo na hora certa. O Mefistófeles tecnológico pela vida que em troca de anos, rouba-lhe os últimos minutos. Em vez do último suspiro o último eletrochoque do difibrilador, que registra a hora o minuto e o segundo. A medicina tornou a luta pública, a tecnologia rouba-lhe a morte. A morte era o fim de uma luta individual que já se sabia perdida mas como um Samurai estóico poderíamos escolher baixar a guarda e deixar vir o sabre na hora certa. Antes era certa, e precedia a certeza das liras e jardins de virgens, hoje a precede a qualidade da vida e nos resta apenas a qualidade da dúvida.

    ResponderExcluir